Pedro Kosciuk Lima

Designer Engineer

Por Dentro do Processo: The Voice of Tomorrow

Data: Abril de 2026

Capa de The Voice of Tomorrow

Vencedor do Swift Student Challenge 2026, The Voice of Tomorrow é uma experiência imersiva guiada por voz, concebida, desenhada e desenvolvida por mim, criada com acessibilidade desde o início e já disponível na App Store para iOS, iPadOS e macOS.

E se a sua voz não fosse algo a ser corrigido, mas algo a ser ouvido de outro jeito?

Pedro Lima vencedor do Swift Student Challenge 2026

Apresentando The Voice of Tomorrow como projeto reconhecido como Vencedor do Swift Student Challenge 2026.

Introdução

Criei The Voice of Tomorrow como um projeto solo para o Swift Student Challenge 2026, onde foi reconhecido como Vencedor do Swift Student Challenge 2026. Mas a motivação do projeto começou muito antes da premiação.

Crescer com gagueira afeta mais do que a forma como você fala. Afeta a forma como você se percebe. Para muitas pessoas, a voz passa a carregar hesitação, medo ou a sensação física de ser interrompido pelo próprio corpo. Com o tempo, falar ganha um peso que não deveria ter.

Esse projeto nasceu dessa tensão. Não como uma ferramenta clínica e nem como um aplicativo de correção da fala, mas como uma experiência imersiva que convida a pessoa a escutar a própria voz com menos medo e mais aceitação. Desde o início, meu objetivo foi investigar como um produto baseado em voz poderia ser menos avaliativo e mais humano.

Também era importante que o case deixasse algo claro: este foi um projeto autoral desenvolvido inteiramente por mim, da estratégia de produto ao design da interface e ao código em SwiftUI.

* * *

Contexto

Grande parte dos produtos relacionados à voz é construída em torno de performance: fluidez, correção, repetição, melhoria.

Mas isso nem sempre é o que as pessoas precisam.

Enquanto eu desenvolvia este projeto, voltava sempre para uma pergunta mais humana: o que acontece quando alguém passa anos sentindo que a própria voz é um problema a ser resolvido?

A gagueira afeta cerca de 70 milhões de pessoas no mundo (ABrAGagueira) e cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil (G1), mas muitas soluções disponíveis ainda priorizam correção acima de aceitação emocional.

É nesse ponto que o projeto começa.

Em vez de desenhar mais um utilitário, eu quis criar algo mais íntimo, reflexivo e emocionalmente honesto, especialmente para pessoas que gaguejam e raramente veem sua experiência interna representada com cuidado.

Problema

Muitas pessoas que gaguejam crescem sentindo que sua voz é quebrada, constrangedora ou menos valiosa.

Grande parte das alternativas existentes parece clínica demais ou genérica demais. Elas focam em fluência, mas frequentemente deixam de lado identidade, vergonha, autocensura e o peso emocional de ser ouvido.

Solução

The Voice of Tomorrow on iPadThe Voice of Tomorrow on iPhone
The Voice of Tomorrow on MacBook

The Voice of Tomorrow é uma experiência imersiva guiada por voz, criada para iOS, iPadOS e macOS.

O aplicativo conduz a pessoa usuária por uma jornada curta e cinematográfica, em que fala, pausas, dúvida e coragem passam a fazer parte da própria interação.

Em vez de tratar a voz como um erro a ser eliminado, a experiência responde a ela como expressão.

Essa se tornou a decisão central de design do projeto: criar algo que escuta sem julgar.

Como toda a experiência gira em torno da voz, a acessibilidade precisava estar presente no conceito desde o início.

Eu não queria que falar parecesse uma obrigação. Momentos importantes também podem ser navegados por toque, oferecendo outro caminho para quem não se sente confortável em falar em voz alta naquele momento.

Os vídeos abaixo mostram parte da experiência no macOS em inglês e em português brasileiro. Eles também refletem uma decisão importante de produto: o idioma foi tratado como parte da experiência desde o começo, não como uma camada adicionada depois.

Ative o som para experimentar a interação como ela foi pensada.

O resultado não é terapia, e também não é um fluxo de produtividade. É uma interação narrativa centrada em voz, presença e autoaceitação.

Para que essa intimidade funcionasse em contextos diferentes, a experiência foi construída com localização nativa para inglês e português brasileiro.

Do Challenge ao Lançamento

O projeto começou como uma exploração autoral para o Swift Student Challenge 2026, onde foi reconhecido como Vencedor do Swift Student Challenge 2026.

Com a evolução do trabalho, ele deixou de ser apenas uma submission e se tornou um produto real lançado na App Store para iOS, iPadOS e macOS.

Essa transição mudou a natureza do projeto. Já não se tratava apenas de expressar uma ideia, mas de entregar uma experiência polida, localizada, acessível e pronta para uso real em diferentes plataformas da Apple.

A versão para iPhone abaixo mostra como o produto foi traduzido entre dispositivos e idiomas sem perder o mesmo tom emocional.

Publicá-lo exigiu um outro nível de pensamento de produto: refinar fluxos, adaptar a interface entre plataformas e tornar a experiência resiliente o suficiente para pessoas reais baixarem e usarem.

Arraste para comparar.

Inglês (EN)

Português brasileiro (PT-BR)

A experiência no iPhone em inglês e em português brasileiro.

App icon light mode

Duas direções de ícone exploradas durante a transição do conceito para o lançamento.

Pronto para experimentar? Você pode baixar The Voice of Tomorrow na App Store.

Direção de Design

Desde o começo, eu queria que a experiência transmitisse:

  • intimidade
  • atmosfera
  • honestidade emocional
  • respeito pelo silêncio, pelo ritmo e pela hesitação

Isso significava projetar para além das telas.

Voz, tempo, visuais, transições e cadência precisavam reforçar a mesma ideia:

a sua voz importa, mesmo quando ela treme, pausa ou trava.

Parte da direção visual foi informada por referências como Dune, pela sensação de silêncio, escala e ritual, e Deadlock, pela tensão, contraste e nitidez gráfica. Usei essas referências menos como algo a imitar e mais como pistas de tom, presença e ritmo.

A acessibilidade foi central nessa direção. Mesmo com uma linguagem visual mais editorial, a interface segue uma regra simples: em momentos de stress, preservar significado primeiro, interação depois e composição por último.

Arraste para comparar.

Tamanho padrão

Escala máxima de acessibilidade

Dynamic Type na prática: tamanho padrão à esquerda e escala máxima de acessibilidade à direita.

Esse princípio aparece na tipografia. O layout foi desenhado para se manter resiliente com Dynamic Type, inclusive nos maiores tamanhos de acessibilidade, para que a narrativa continue legível sem truncamento ou perda de estrutura.

Os testes com usuários também mostraram momentos em que o ritmo da interface precisava de mais cuidado. No iPhone, isso levou a uma melhoria pequena, mas importante: auto-scroll sincronizado entre os dois terminais, para que a pessoa não precisasse ajustar a tela o tempo todo para acompanhar a experiência.

Arraste para comparar.

Sem auto-scroll (manual)

Com auto-scroll sincronizado

Comparação de ritmo de leitura: scroll manual à esquerda e auto-scroll sincronizado à direita.

Oferecer escolhas por toque em momentos importantes nasceu da mesma lógica: a voz deveria ser convidada, não exigida.

Um caminho baseado em toque para momentos em que falar em voz alta pode não parecer confortável.

O mesmo princípio orientou localização e adaptação entre plataformas. O app foi desenhado para se manter intencional em iPhone, iPad e Mac, com suporte a inglês e português brasileiro, para que o tom emocional continuasse coerente entre dispositivos e públicos.

Reflexões

Esse projeto mudou a forma como eu penso design de produto.

Em vez de otimizar tarefas, eu estava desenhando para ressonância emocional. Em vez de remover atrito a qualquer custo, precisei entender quais pausas e vulnerabilidades eram significativas o bastante para serem preservadas.

Ele me lembrou que tecnologia nem sempre precisa resolver um problema por eficiência. Às vezes, ela pode criar espaço para reconhecimento, coragem e uma relação diferente consigo mesmo.

Para mim, essa se tornou a principal lição do projeto: design também pode ser um ato de escuta.


Tecnologias e Ferramentas

  • SwiftUI - desenvolvimento da interface em iOS, iPadOS e macOS
  • Speech Recognition / entrada por microfone - interação por voz
  • Caminhos de interação por toque - alternativa de entrada em momentos-chave da experiência
  • Figma - conceito, interface e desenho da experiência
  • Localização - suporte a inglês e português brasileiro com String Catalogs
  • Design orientado à acessibilidade - interações mais inclusivas entre voz, toque, layout e legibilidade

Créditos

Design e desenvolvimento: Pedro Kosciuk Lima

Tipo de projeto: experiência interativa autoral / experimental